Desejo: por que queremos o que queremos
Passamos boa parte do dia desejando alguma coisa — e muito do que queremos nem é nosso. Entenda de onde vem o desejo e como usá-lo para construir.
Desejo é o puxão em direção a algo. E é quase constante: num estudo que acompanhou pessoas ao longo do dia (Wilhelm Hofmann e colegas, 2012), os participantes relataram estar desejando alguma coisa em cerca de metade das vezes em que foram perguntados — comer, dormir, descansar, olhar o celular.
Querer não é gostar
O cérebro tem um sistema para querer e outro para gostar, e eles nem sempre concordam. É o território da dopamina: dá para desejar intensamente algo que, quando chega, entrega pouco. Saber disso é libertador — a força do desejo não mede o valor da coisa.
O desejo emprestado
O pensador René Girard chamou de desejo mimético: a gente aprende o que querer olhando o que os outros querem. Publicidade e rede social vivem disso. Vale perguntar de vez em quando: isso é meu, ou peguei de alguém?
O que fazer com ele
- Surfar a onda. O psicólogo Alan Marlatt mostrou que o impulso sobe, atinge um pico e desce sozinho, em minutos. Não é preciso obedecer nem lutar: dá para observar passar.
- Ler a mensagem. Por baixo do desejo costuma haver uma necessidade: descanso, contato, novidade, reconhecimento.
- Dar forma. Desejo é energia. Reprimido, vaza; canalizado, constrói. Muita obra boa nasceu de alguém que pegou o que o coração pedia e foi fazer com as mãos.
Desejo é a emoção de Impulso do Ciano.
Quem vive nela vira o Artesão positivo
“Cria com as mãos o que o coração pede.”