Um planeta que respira
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O+343 · Onda do Despertar · Sinal 38

Um planeta que respira

Peguei o trem de Estirpe a Estérnia com um mapa aberto no colo, coisa que nenhum adulto faz. E notei o que toda criança nota e depois desaprende: Thalamus tem forma.

Seis reinos em anel — Ferro, Carbono, Mercúrio, Hélio, Silício, Fósforo — e no centro exato, Luz, com Estérnia e suas sete torres. Cada reino faz fronteira com dois vizinhos e com o centro. As quatorze linhas de trem cruzam o continente como se tivessem sido desenhadas de dentro pra fora: sete que saem do centro, sete que voltam. Ninguém planejou assim. Ou todo mundo planejou, e esqueceu.

Cada reino tem uma cor, uma matéria e uma função que os outros não têm. O Ferro forja e ninguém mais forja. O Carbono alimenta. O Mercúrio guarda a memória do mundo em cavernas que descem em vez de subir. O Hélio vê de cima. O Silício conecta. O Fósforo lembra o que os outros preferem esquecer. E a Luz — a Luz organiza. É a palavra dela.

O Sistema chama isso de Interdependência: nenhum reino sobrevive só. Bonito. Também significa que nenhum reino pode dizer não.

Existe um velho ditado de Víscera que diz que o planeta é um corpo, e que as capitais são os seus órgãos. Os professores riem. Eu não sei se rio. Um corpo tem centro, tem extremidades, tem sangue que circula em anel — e tem um lugar onde as decisões são tomadas, que não é o coração.

Lumen pulsa no céu no ritmo dos Sinais. A Lua não tem nome. E a cada sete Pulsos vem a Ressonância: sete Sinais a mais no fim do Pulso, em que o planeta inteiro ressoa — e dizem que é quando fica mais fácil acertar o que a gente carrega por dentro.

Um planeta não faz isso. Um planeta não respira.

Este faz.

— Axion Kaede, Fresta no Chão · O Fuxico